quinta-feira, 21 de janeiro de 2021
Religião
sexta-feira, 1 de janeiro de 2021
Ano Novo
O ano novo está aí à porta e,
como sempre, não faltam profetas,
adivinhos, futuristas, especialistas
e outros coristas dos paraísos
e dos apocalipses, com máscara ou sem ela,
para nos apontarem o caminho da salvação!
Parece simples encontrar o portal
da felicidade, a janela para o horizonte
onde não há pecado nem sofrimento!
O ano que termina não se eclipsa,
gravado será na memória universal,
é tempo, não tem ânsias.
Os anseios são dos corpos
sôfregos pela realização dos sonhos,
que num ápice se desvanecem.
E nós, iludidos pelas memórias,
exclamamos, como que desadormecidos,
já lá vai tanto tempo!
Onde vive a criança que se perdeu no caminho?
Onde param as lágrimas das despedidas?
Onde mora a epopeia do amor?
Contaremos as doze passas,
ergueremos as taças de espumante.
Brindaremos de cara lavada e de alma fresca,
contaremos os bons segredos uns aos outros,
aguçaremos o nosso pensamento?
Por que não respeitar a palavra limpa e polida,
a dança da vida e a paixão do outro?
Talvez pudéssemos desviar
os maus augúrios e inventar
um Novo Ano a sério.
quarta-feira, 23 de dezembro de 2020
AVÓS
sábado, 19 de dezembro de 2020
Natal
Porque nos aproximamos da época natalícia, ocorreram-me algumas palavras que talvez mostrem que o Natal é, não só das crianças, mas também da criança que vive em cada um de nós.
O NATAL E AS CRIANÇAS
As crianças correm, saltam, riem, choram,
vivem desmedidamente, dançam à chuva,
brincam nas poças de água, espantam-se
com a beleza de todas as coisas,
acham tudo natural, criam formas de arte incríveis.
domingo, 6 de dezembro de 2020
NOSTALGIA
Inconsciente criança,
que ainda cá moras,
a brincar aos índios e cobóis,
a fingir-se de morta
pelo tiro da flecha imaginária,
nos verdes campos
de borboletas brancas,
de carreirinhos e correrias,
de saltos de cavalinho de pau,
exibindo a sua quixotesca espada
de madeira, desafiando o vento
e seus moinhos colossais.
Eram assim, às vezes,
as mágicas tardes de domingo
que povoam ainda hoje
os mais eficazes sonhos
da razão da existência e da natureza,
a quem sou muito grato.
quarta-feira, 25 de novembro de 2020
ÁRVORE
Quando era menino,
às vezes apetecia-me ser árvore.
Só porque as árvores podem ser altas
e quanto maiores são as suas raízes
mais alto chegam, e aí podem conviver
em abundância com os pássaros.
As árvores ondeiam ao sabor da seiva,
com suas raízes, seus ramos,
suas folhas, flores e frutos.
Serpeiam como o vento a ventar,
como a maré subindo e descendo
na infinitude do mar.
Seria árvore e, à noitinha,
sentiria a insistência da Lua
com o seu luar na floresta
semeado de faiscantes
cristais de luz viva e clara.
E aí teria o sonho da Terra inteira,
sem fronteiras, vivaz, solidária,
fraterna e livre, como a utopia séria.
Terra forte e farta, onde se cantaria
e dançaria sem preconceito
como os pássaros, num rodopio amoroso
onde todos seriam do mundo
que não é de ninguém;
só bons selvagens
como a floresta da natureza,
nossa mãe.
segunda-feira, 9 de novembro de 2020
novembro
Quando olho para a cara das pessoas
e não gosto do que vejo, desconfio,
quando gosto, acredito.
Não é que queira, não posso decidir
os desejos, meus ou de quem quer que seja.
Às vezes é preciso olhar, ver, contemplar,
procurar o infinito que há em tudo.
E então surgem as palavras, nascem e crescem
como cogumelos, cristais, cerejas, conversas.
Não são retratos de coisa nenhuma.
Não são teatros da realidade, são a realidade no palco.
São manhãs frias de novembro com o chão do quintal
cheio de lágrimas do tempo com folhas amarelas de melancolia.
São tardes tão lúgubres que nem as saudades matam,
são noites de intempérie à espera da queda de todas as máscaras.
Às vezes sinto este novembro nos ossos como se fosse dezembro sem natal.
E dá-me para perguntar: que mal fizeram a Deus os inocentes?