sexta-feira, 29 de julho de 2016

jacarandás


Os jacarandás moram 
na orla do parque 
florescem nos corações
viram mãos entrelaçadas
prometendo eternidade


à noite

à noite quando medito as rosas
abre-se-me o sal da tua língua
encontro em cada pétala o gosto
do cálido sofrimento dos dias

à noite quando as folhas 
da roseira namoram
vejo a clara luz das manhãs 
e o vento amassando as águas

à noite quando o suor sofrido
teima em não fugir por omissão
bebo dos teus olhos água viva
e mato a sede das mãos

à noite, quando percorremos
a série de outras vidas
sinto o coração nas nuvens frescas
batendo asas para o infinito

quarta-feira, 6 de julho de 2016

aragem

este verão é longo e quente
e estranho
no quintal só passa o vento
e um pássaro de vez em quando
o vento sopra-nos de lado quando passa
o pássaro bate as asas de mansinho para não darmos por ele

nenhuma palavra é suficiente
para matar a saudade fina
que me nasce à flor da pele

sexta-feira, 1 de julho de 2016

figo



Figo doce como aroma
De rosas vermelhas 
Cor de coração de melancia
Esperança verde cor de maçã
Promessa de amor ao rubro vislumbre
Das nectarinas lúcidas como as mãos
Às quais cabe o mimo ontológico
De dar vida à vida, como me disseste 
O que se leva dela é a vida que se leva 
Nos enleios visíveis e invisíveis
Florestas frescas como as do avatar
Figo doce do corpo que se abre
Flor madura, pesada e leve
Como a vida infinita e breve.