domingo, 14 de maio de 2017

livre-arbítrio

O livre-arbítrio para Agostinho, filósofo cristão (354-430) é o fundamento da liberdade mas não se identifica com ela, aquele é a possibilidade de escolher entre o bem e o mal e esta é o bom uso do livre-arbítrio. Este fundamenta-se no inesgotável significado das coisas e é expressão da vontade, aquela resulta de uma faculdade a que podemos chamar razão. 
O livre-arbítrio caracteriza tudo o que é.Tudo o que é tem por essência o ser sendo. Heraclito disse: tudo é movimento. O livre-arbítrio funda-se na "coisa-em-si" de Kant, a manifestar-se. Esse númeno, por oposição a fenómeno, é a vida a pulsar, a metamorfose de formas, de corpúsculos, de energias. Tal vida, no seu coração, é inacessível. Escolho contorcer-me quando sinto uma dor aguda fabricada pelo meu cérebro na minha coxa esquerda. Não sei se alguma vez será possível encontrar a origem da dor nem se é física ou psicológica. A dor pode ser apenas uma contração dos músculos devido a uma combinação estatisticamente pouco provável de algumas sinapses.Os deterministas diriam que a contração que sofri não foi decidida por mim e que a ela não me poderia furtar.O ser humano singular que cada um de nós é, é para si e para os outros "coisa em si". Ninguém conhece o seu destino exato. Toda a gente sabe que é a morte, mas esta negação de todas as possibilidades existenciais é apenas um conceito. Tanto mais que há quem acredite na continuação da vida do indivíduo depois da dissolução do seu corpo. O determinismo é uma doutrina pobre, não permite esclarecer a natureza do indivíduo homem. O seu contrário, como afirmação da premissa do livre-arbítrio é muitíssimo mais interessante. Contudo requer esclarecimentos. O que significa a palavra "livre"? Parece ser a característica de tudo aquilo que é imprevisível. Podemos falar de queda livre de um corpo. Contudo a queda, num determinado contexto razoavelmente conhecido, é previsível e assente numa regularidade, por exemplo, uma aceleração de 9,8m/s2, a chamada lei da gravidade. Mas, apesar da probabilidade ser de quase cem por cento, ainda assim, não há uma certeza absoluta de que será assim ou de que será sempre assim. No indivíduo humano cuja diferença fundamental em relação a uma rocha em queda é a sua complexidade, isto é, o processo de relação entre todas as partículas ou corpúsculos que o constituem, a previsão é mais incerta. Na ciência mais exata não há previsão imbatível. Por isso o livre-arbítrio, independentemente de se basear ou  não na livre-escolha, é uma realidade que torna o mundo muito mais interessante que, tal como a arte, é inevitável e torna tudo, para além de estranho, espantoso. De facto vemos tudo pela primeira vez, e até este momento, não consigo intuir de outra maneira.

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