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segunda-feira, 30 de março de 2026

Só o amor nos salva

Os dias passam por nós
e levam as nossas assombrações
no incessante marulhar
de pensamentos internos
e de diálogos públicos
às vezes quase impossíveis.
Sinto-me um caminhante descalço,
quase solitário,
percorrendo espaços pejados de vidro partido,
obrigado a mil cautelas numa luta sem tréguas,
digerindo sucessivos nós no estômago
por entre os pingos de chuva ácida.
A lei moral em mim e o céu estrelado
continuam a inquietar-me
infinitamente até ao bem universal,
contrariando o império do caos
e induzindo a resistência
para a construção de um mundo em harmonia.
Pese embora as filosofias, os tratados,
os sábios, os filósofos,
as ciências naturais e artificiais,
as engenharias sociais,
bem como as loucuras
aparentemente bem intencionadas,
só o amor nos salva.
Só o amor, por mais barreiras que tenha,
garante a reciprocidade entre seres humanos,
a igualdade na diferença e a humildade,
a eliminação da ganância e do ímpeto de colonização,
só o amor, como se fosse um deus todo poderoso,
tem a força, a lucidez, a pregnância,
a empatia para darmos as mãos e dançarmos de roda
a canção fraterna da amizade, do respeito
e da convivência pacífica entre toda a gente
de todas as cores, de todas as idades,
de todos os lugares de todo o mundo.
©PR
Imagem: A Dança, reprodução de óleo sobre tela de Henri Matisse, 1909







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