sábado, 14 de janeiro de 2017

Transparência



Na rua linear e transparente
Eleva-se o altar de vidro frio
De paredes translúcidas, duras
Sob a plasticidade mole de espelho
Azul turquesa, vermelho flácido
Retorcido pela fúria dos raios
Aço flamingo de brilho ofuscante
Sangue vivo refluindo, desafiando o sol
Vida fluida verde garrafa, verde nobre
Cada cor, cada dor, respaldo invisível
Rua torta, ser vivo, leão de porcelana
Cabana do fim do mundo onde moro
Onde sou e respiro, fecho os olhos e morro